08/02/2016

Papo de Amiga: O garoto do sorriso matador - Parte 1


Depois de oito meses da minha mudança, de ter me distanciado de tudo e, principalmente, de relacionamentos e sentimentos, me peguei mais uma vez sentada na cadeira com o bloco de notas aberto e a caneta na mão. Por várias vezes me peguei assim, mas não entendia o que estava acontecendo. Eu só olhava pro papel, mas não conseguia escrever nada, acho que o dom da escrita se foi junto com os sentimentos. E aqui restou uma "eu" fria, sozinha e sombria. 

Em meio aos meus pensamentos, o meu celular toca, é a Carol (amiga da faculdade que converso sobre tudo). Atendo, mas já sei que lá vem convite pra sair. 

- Amiga? 
- Oi, meu bem. 
- Tá tudo bem, senhorita? 
- Sim, e você? Não me convite pra sair, por favor. 
- To bem. Não começa, to passando pra te pegar em meia hora, vai ter um evento super legal aqui perto e pensei que você quisesse fotografar, já que isso te distrai. 
- Daqui a 30 minutos? Você sabe como eu estou nesse momento (de pijama e toda descabelada)? 
- Uai, da tempo de se arrumar. Você tem uma beleza nata, nem precisa se arrumar. E o evento é de esporte, tipo skate, vai ter gente de vários estilos, você vai gostar. Você vai, né? 
- Fazer o que, né? Vou desligar, você passa daqui a trinta minutos sem atraso, por favor. 
- Ok amorzinho. Love you! 
- Me too. 
Desliguei o telefone e corri para o banheiro. Tomei um banho, mas não lavei os cabelos (iria demorar muito). Vesti uma roupa leve (t-shirt, short e coturno), peguei minha bolsa e coloquei a câmera dentro. Assim que terminei, a Carol chegou e fomos para o local do evento. Bem que ela falou, la tinha gente de vários lugares. Assim que chegamos demos de cara com uns conhecidos da Carol. Cumprimentei-os, mas não quis ficar ali e fui tentar arrumar uns cliques. 

Assim que me distanciei do grupo de amigos, comecei a tirar fotos de outros grupos, movimentos, detalhes que pareciam imperceptíveis, mas que para uma fotografia seria um dos momentos mais lindos registrados. Me aproximei de um vendedor de sorvete (que também vendia balões) e tirei uma foto tão linda, que resolvi pedir o endereço dele pra revelar e enviar depois (parece meio louco, mas eu amo essas coisas, mostrar para as pessoas o quanto elas fazem alguém feliz), ele me deu numa boa, aproveitei para comprar um sorvete e um balão. Sentei em um banquinho para ficar um pouco quieta com meu sorvete, até que uma menininha linda (negra dos olhos com uma cor de folha seca) se aproximou de mim e perguntou:

- Você gosta de balões? Minha mãe fala que isso é pra gente pequena e você é grande. - Falou com aquela voz de criança inteligente que fez com que eu me apaixonasse. 
- Sou uma criança com corpo de adulta. Você quer o balão pra você? 
- Você me daria? 
- Claro que sim. 

Assim que deu o balão, a mãe da criança se aproximou e ela se foi, mas o registro que fiz dela indo foi lindo, muito lindo. Estava super feliz de estar naquele evento, os detalhes que eu estava observando eram lindos, parece até que eu tinha ficado uns dez anos presa, porque tudo ali estava me encantando. Eu devia estar muito sentimental. 

O local do evento era em um lugar tipo um parque muito grande, ou seja, significava que eu já estava muito longe da Carol e do seu grupo de amigos e que tinha chegado na parte onde havia as pessoas mais diferentes e estranhas (adorava tudo aquilo). Então comecei a fotografar cada grupo, cada movimento e pensei em como aquilo estava valendo mais a pena do que quando a gente está com alguém do lado, alguém vazio. Que aquele lugar e aqueles pessoas tinham mais amor que muitos casais por ai. 

Voltei novamente a fotografar e em cada foto eu entendia mais o significado de amor e felicidade, e percebia o quanto eu amadureci em todo esse tempo. 

Fiquei distraída por um momento, até que no meio da multidão eu vi um sorriso. Um sorriso que (nosso Deus!) mexeu comigo, como ninguém havia mexido naqueles últimos meses. O jeito como ele se movia e mexia o cabelo completou o sorriso e pronto, eu sabia que era ele. Era ele que eu queria, mesmo decidido que não queria ninguém, que não tinha sentimento, o destino fez as escolhas por mim e me mostrou que mesmo que o tempo passe, quando algo é pra acontecer, realmente acontece. 

4 comentários:

  1. Ansiosa pro próximo!

    http://apenasvoe.blogspot.com.br/

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  2. Que linda, Jéssica!!!
    Amei seu blog... ♡
    E esse post?! Lindo e encantador... :)
    Beijos e super sucesso pra vc!

    Www.liulustosa.blogspot.com.br

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